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7 de Abril de 2020

Netflix lança série sobre morte de procurador que acusou Cristina Kirchner

Alberto Nisman acusou a então presidente de encobrir os autores de um atentado que causou 85 mortes em 1994

Roberto Macedo, Advogado
Publicado por Roberto Macedo
há 3 meses

https://www.netflix.com/br/title/80197991

O ex-chefe de Operações da Secretaria de Inteligência da Argentina, Antonio Stiuso, disse acreditar que o promotor especial Alberto Nisman, morto pouco após denunciar que a ex-presidente Cristina Kirchner teria acobertado terroristas, não se suicidou, uma das hipóteses estudada pelas autoridades.

"Mataram Nisman e foi um grupo vinculado ao governo", disse à juíza Fabiana Palmaghini, ex-responsável pelo caso, como publicou a imprensa local.

Ainda segundo ele, Cristina Kirchner estava entre as mais interessadas em sua morte. Stiuso, no entanto, não mostrou provas sobre suas declarações.

Stiuso afirma também que, além de matar o promotor, o governo de Cristina também impossibilitou o avanço das investigações sobre o atentado contra o centro judaico AMIA (Associação Mutual Israelita Argentina), que deixou 85 mortos em 1994.

No caso concreto, o promotor especial que investigava o atentado, Nisman, acusou a então presidente de "decidir, negociar e organizar um plano de impunidade e acobertar os foragidos iranianos acusados pela explosão [da AMIA] com o objetivo de fabricar a inocência do Irã". Nisman apareceu morto poucos dias depois, afirmando categoricamente e publicamente que Cristina teria tido motivos comerciais, como intercâmbio de petróleo e grãos, em troca da proteção aos iranianos do Hezbollah, financiados pelo governo do Irã, que utiliza o terror como mecanismo de política externa.

De acordo com declarações de fontes judiciais citados pelo Clarín, Stiuso explicou que "quando morreu o marido de Cristina e ex-presidente Néstor Kirchner, Cristina pediu que deixássemos de investigar as pistas que ligavam aos iranianos. Não obedecemos e isso me custou o emprego, e Nisman terminou como terminou".

Fonte: https://noticias.r7.com/internacional/governo-argentino-esteve-por-tras-de-morte-de-promotor-alberto-nisman-diz-ex-espiao-03032016

Uma boa obra para entender o que é o Foro de SP e o que ocorre com a Venezuela e a America Latina: Hugo Chávez, o Espectro

Muito mais que jornais, artigos de opinião – por melhores que eles sejam! – o fundamental para compreender a realidade na América Latina são livros que investigaram o assunto nos últimos anos, mostrando quem são as forças que assumiram o poder e as influências de mecanismos que, mesmo com seus documentos expostos e fontes primárias às claras, foram ignorados pela maioria da mídia brasileira.

Por sorte, tivemos nomes corajosos nesses tempos que trouxeram excelentes trabalhos para o público. Já citei nos espaços onde público, em tempos idos, O Eixo do Mal Latino-Americano E a Nova Ordem Mundial de Heitor de Paola, bem como O Continente da Esperança de Alejandro Pena Escusa. Não poderia ficar de fora o Manual do Idiota Latino-Americano, de vários autores, incluindo Alvaro Vargas Llosa.

Porém, quando o assunto é o bolivarianismo e o chamado “Socialismo do Século XXI”, que foi pensando dentro de mecanismos como o Foro de São Paulo, a Frente Francisco Miranda, o CEPS na Espanha, dentre outros, ainda não encontrei um trabalho melhor e mais aprofundado que o de Leonardo Coutinho. O ditador Nicolas Maduro não seria nada sem a falácia chamada Hugo Chávez.

A obra de Coutinho chama-se Hugo Chávez: O Espectro. Mostra muito bem como os governos que se dizem revolucionários construíram seus laços ideológicos, interferiram em soberanias e destruíram as economias e os conjuntos de valores dessas sociedades, levando o caos, e depois fabricando um inimigo incomum – como o tal “imperialismo” – para depois se colocarem como salvadores da pátria na construção de um socialismo.

Coutinho mostra – com provas cabais – a ligação desses governos com o narcotráfico internacional, o que não é novidade, pois tais fatos já se desenrolava na Cuba de Fidel Castro, na preparação de guerrilheiros, como mostram os autores como Humberto Fontova, nas obras sobre Castro e Che Guevara. Ou então A Vida Secreta de Fidel de Juan Reinaldo Sanchez. A literatura sobre o assunto é farta.

No caso da Venezuela, ainda há negociações com o terrorismo ao longo do governo Chávez que ajudaram ao país chegar onde chegou. Isto sem contar com a promoção de uma desordem no continente e com a tentativa de projeções globais. A obra de Coutinho revela fontes primárias, aponta para vídeos existentes, reportagens e até documentos.

Em um dos capítulos, aparece a interferência direta de Chávez para levar Evo Morales ao poder e – assim como feito consigo mesmo – a estratégia para a construção de um mito, envolvendo até a manipulação de fatos para simular um atentado a vida de Morales. Nada mais que uma narrativa derrubada pelas próprias investigações e, diante disso, jogada para baixo do tapete.

No turbilhão dos acontecimentos, ligações perigosas que chegaram a colocar as Forças Armadas bolivianas a serviço de ações de narcotraficantes e o uso de petrodólares para financiar movimentos revolucionários no continente. Tudo feito com o viés ideológico que também transformou o BNDES brasileiro em uma espécie de “cofre” para ações nesses países durante os governos petistas. Os valores investidos se pode observar recentemente diante da divulgação dos contratos do banco estatal.

O dinheiro dos brasileiros ajudou nesse contexto a financiar tiranias. Tudo pelo compromisso ideológico. Em um dos capítulos, crava Coutinho: “Quanto mais desorganizado o mundo se tornasse, mais liberdade ele (Chávez) teria para fazer sua almejada revolução”. Maduro é o herdeiro de tudo isso.

Motivo pelo qual – ainda ao lado de Fidel Castro – Chávez fundou a Aliança Bolivariana para os Povos da Nossa América (ALBA), com a declarada função de fazer frente a uma hegemonia militar americana. Assim, Chávez usou, como quis, a bonança do petróleo para os planos de mudar o mundo. Foi o ponta-pé inicial para empurrar a Venezuela para o caos social e econômico que vive hoje, com o objetivo explícito de um regime ditatorial.

Ali já entravam, por exemplo, as ligações com o Irã, quando Maduro era um chanceler. Um passo importante para estabelecer conexões também com a Argentina, por meio de Nestor Kirchner – à época – e assim retomar a cooperação nuclear com o Irã. Vale pesquisar aqui – se o leitor tiver tempo – pela morte do promotor Alberto Nisman. Tem tudo a ver com esse assunto.

Mas ainda há quem ache que falar de Foro de São Paulo e investigar o passado é mera “teoria da conspiração”, mesmo com o ex-presidente e condenado Luiz Inácio Lula da Silva, o Lula (PT), já tendo falado da importância dessa “coisita” para que todos chegassem ao poder dentro dessa conjuntura que é exposta por Leonardo Coutinho em sua obra.

Não é apenas Lula. No Youtube há uma entrevista do ex-ministro mensaleiro José Dirceu falando – no programa Provocações – da importância do Foro e dos presidentes que chegaram ao poder depois dele.

Um dos capítulos da obra de Coutinho que merce toda atenção é o que fala do “narcobolivarianismo”. Ele até cita o esquema iniciado em Cuba que é revelado por Juan Reinaldo Sanchez, ex-guarda-costas de Fidel Castro. A Venezuela passou a ser – sob o chavismo – a responsável pelo escoamento de 90% da droga produzida na Colômbia. Sabe-se lá o que essa grana financiou.

Se o leitor se aventurar na dica deste blog, também preste atenção nos personagens. Um deles que tem importância significativa é Diosdado Cabello – que integra essas relações perigosas. Cabello visitou o Brasil por convite da JBS de Joesley Batista. Na época, foi recebido por Lula, por Dilma Rousseff (PT) e por Michel Temer (MDB) e até pelo presidente – na época – do Congresso Nacional, Renan Calheiros (MDB), segundo Leonardo Coutinho. E aqui falo apenas da influência de Cabello, pois é difícil saber especificamente quais assuntos tratados.

Oficialmente, foi dito, que ele tratava no Brasil das dívidas da Venezuela com fornecedores. O objetivo era atrair investimentos para seu país, “apesar da crescente insolvência com os exportadores brasileiros”.

Enfim, o livro de Coutinho mostra muito do jogo de poder dos bastidores e de como esses governos – nos últimos anos – foram parceiros ideológicos fortes, envolvendo grandes empresários, políticos etc. Muitas vezes, cada um desses querendo o seu quinhão, sem se importarem com o que abriam passagem. Tanto que Cabello esteve no Brasil com um autêntico representante do governo venezuelano.

Vale a pena, diante do que se tem escrito sobre a Venezuela recentemente, a leitura desta obra de Leonardo Coutinho. Por isso, fica dica: Hugo Chávez, o Espectro. Evidentemente, os outros livros aqui citados também são indicados para aprofundar o assunto.

Fonte: https://www.tercalivre.com.br/uma-boa-obra-para-entenderoque-ocorre-comavenezuela-hugo-chavezoespectro/

*Antes de votar, deve o eleitor brasileiro se perguntar: qual o Brasil que quero para mim e meus filhos daqui 20 anos?? Será que os exemplos da Venezuela, do Brasil e de toda a America Latina recentes, dominados pela corrupção e miséria, ainda não são suficientes??

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